Sou uma pessoa apaixonada pelo Natal,isso me vem da infância,quando meus pais enfeitavam nossa árvore natalina com bombons,velinhas ( que acendiam de verdade)algodão e bolas coloridas ( que quebravam com facilidade) Não víamos o Papai Noel,ele vinha enquanto dormíamos e deixava sempre um presente para cada um de nós, um vestidinho, um sapato,um brinquedo. Quanta Saudades.....
2 de ago. de 2010
Minhas filhas
Minhas meninas, presentes de DEUS.
Primeiro a Mirca, chegou ligeira, faceira, querendo conhecer o mundo.
Linda, loira e dorminhoca.
Depois Joseani,a moreninha Ah!que encanto, doce,calma,, chegou numa madrugada fria,mas me trouxe tanto calor, tanto amor.
Muito tempo já se passou, minhas crianças já me deram outras crianças das quais falarei mais tarde.
Minhas filhas meus encantos.
Primeiro a Mirca, chegou ligeira, faceira, querendo conhecer o mundo.
Linda, loira e dorminhoca.
Depois Joseani,a moreninha Ah!que encanto, doce,calma,, chegou numa madrugada fria,mas me trouxe tanto calor, tanto amor.
Muito tempo já se passou, minhas crianças já me deram outras crianças das quais falarei mais tarde.
Minhas filhas meus encantos.
A Vila ( crônica de Cardoso Filho)
Lili, minha mulher, tem razão de se queixar de meu enfraquecido espírito natalino. Aproxima-se dezembro e ela começa a trabalhar na decoração de Natal de nossa morada. A cada ano, novas ideias. Recusa-se a repeti-las. Abrem-se caixas e caixas, os materiais se espalham pela casa, e ela, pouco a pouco, em solitário trabalho na maior parte do tempo, vai-lhes dando nova ordem, nova disposição, nova beleza.
De meu canto, observo e pouco ajudo na estafante lida. Isso a entristece. Chega a magoá-la. Queria que me envolvesse ativamente, todo o tempo, que me entusiasmasse, que trocássemos ideias, que estivesse disponível para as muitas e miúdas tarefas que compõem o largo trabalho. No entanto, a pouca disposição física me atrapalha e creio que contribuiu para isso a idade, além de meu vacilante ardor natalino. Estou me tornando um preguiçoso, eis o fato. Um velho cão, um velho gato, que aprecia sossego, o não fazer nada que não lhe seja exatamente estimulante. Esse comportamento é difícil de ser entendido pelas mulheres. Ainda não se acostumaram que o bicho homem é indolente por natureza, excetuados os anormais, esses que são loucos por agitação e trabalho.
Enfim, o quadro, algo desolador, é esse: Lili desdobrando-se para enfeitar a casa e eu me escondendo do serviço. Claro que ajudo em algumas coisinhas. Auxílio secundário, digamos. Eis um exemplo: num domingo desses, saí de manhã, de motocicleta, e fui comprar casinhas para a vila que Lili decidiu construir sob o pinheiro enfeitado. Não contei com a brusca virada do tempo e apanhei um chuvão, fato que enalteceu meu serviço. Trouxe, sob a tempestade, a esperada encomenda (é evidente que estou a valorizar o trabalho, dado que confesso a meus leitores, entre parênteses, para maior sigilo).
Confesso também que, pronta a decoração, deleito-me com o que meus olhos veem. A contradição, não complicada de entender, é que gosto do resultado, não do processo. É como gostar de comer boa comida e não apreciar prepará-la. Acho que a comparação é boa e suficiente. Todo ano é assim, ainda que Lili resista a se acostumar com meu comportamento. Continua na esperança de que, quem sabe no próximo Natal, eu mude e me torne estupendamente participativo.
Como aconteceu numa noite. A vilazinha havia ficado pronta, ou quase; faltava só mais um pouco de neve, naquela altura difícil de encontrar nas casas de artigos natalinos, por força da demanda excessiva. Neva muito no Natal brasileiro. Sentamo-nos de frente para ela, imersos na tênue claridade produzida pelas luzes dos enfeites. Sob a árvore piscando em cores, semelhando a um céu profusa e coloridamente estrelado, estendia-se a vila, composta de nove casas e uma igreja, iluminadas. Melhor que não havia televisão ligada a invadir o momento de contemplação. Apenas o pinheirinho, a vila tão graciosa e as luzes natalinas a dourar a sala. E ficamos a conversar e olhar para a paisagem de brinquedo, tomada de noite, e esse olhar e conversar foram-nos conduzindo a imagens da infância, de Natais perdidos no tempo, de pessoas que fizeram inesquecíveis antigos dezembros. Algo mágico foi tomando o ambiente, e voltou-me o desejo ardente de ter um trenzinho elétrico. Sonhei com ele ao longo da infância. Vi-me, outra vez, na Loja Prosdócimo, extasiado diante do brinquedo, cujos vagões, iluminados por dentro, mostravam nas pequeninas janelas de vidro leitoso as silhuetas dos passageiros.
De repente, ouvimos pequenos ruídos. Apuramos a audição. De onde viriam? Os ruídos continuaram. Muito estranho. Não vinham de fora, da rua. A origem estaria na sala. Eis que a luz de uma das casinhas se apagou. Aos poucos, nos apercebemos que o barulho vinha da vila. A luz que se apagara voltou a se acender. Mas o mais impressionante aconteceu em seguida. Flutuando no insólito, vimos a porta da frente de uma das casas se abrir. Fechou-se em seguida. Atordoados e estáticos, sem dizer nada, aguardamos o que mais viria de absurdo. Mas tudo se aquietou. O momento maravilhoso se extinguira. Era tarde, e fomos dormir entre assombrados e encantados. Não víramos e ouvíramos nada, com certeza. Certamente fora a imaginação infantil despertada pela longa contemplação da vila iluminada e pelos vôos de nossas reminiscências. Havíamos mergulhado, sem sentir, num vácuo da realidade, em que o impossível se tornara viável. Algo como um sonho.
Deitados, no quarto mergulhado na escuridão e no silêncio, ficamos longo tempo com os ouvidos esticados para o que poderia vir de barulho da sala, naquela altura também silente e escura. Por fim, exaustos pela ocorrência incrível, adormecemos. Acordei-me no meio da noite. Ruídos produziam-se novamente na sala. A vila devia estar se agitando. Adquiria vida. Levantei-me e fui silenciosamente até lá. Deparei-me com as casinhas acesas outra vez. O prodígio se renovava. Voltei para o quarto e esperei. Quanto tempo, não faço ideia. Embalado pelo maravilhoso e surpreendente, vagando entre o real e o imaginário, terminei adormecendo.
O fenômeno não se repetiu aos nossos olhos. Mas tenho para mim que, no meio da noite, quando, sucumbidos ao cansaço e sono, adormecemos profundamente, coisas espantosas voltam a acontecer na vila em miniatura estendida sob o pinheiro. Não é algo que eu possa revelar aos outros, indistintamente, sem parecer maluco, mas o confidencio aos meus contados e fiéis leitores e acrescento: o sucedido explica-se pela magia no Natal; algo extraordinário que só pode ser percebido pelos olhos e ouvidos da criança antiga que resiste em nós.
Tribuna Platinense, edição 1105, de 11.12.2009.
De meu canto, observo e pouco ajudo na estafante lida. Isso a entristece. Chega a magoá-la. Queria que me envolvesse ativamente, todo o tempo, que me entusiasmasse, que trocássemos ideias, que estivesse disponível para as muitas e miúdas tarefas que compõem o largo trabalho. No entanto, a pouca disposição física me atrapalha e creio que contribuiu para isso a idade, além de meu vacilante ardor natalino. Estou me tornando um preguiçoso, eis o fato. Um velho cão, um velho gato, que aprecia sossego, o não fazer nada que não lhe seja exatamente estimulante. Esse comportamento é difícil de ser entendido pelas mulheres. Ainda não se acostumaram que o bicho homem é indolente por natureza, excetuados os anormais, esses que são loucos por agitação e trabalho.
Enfim, o quadro, algo desolador, é esse: Lili desdobrando-se para enfeitar a casa e eu me escondendo do serviço. Claro que ajudo em algumas coisinhas. Auxílio secundário, digamos. Eis um exemplo: num domingo desses, saí de manhã, de motocicleta, e fui comprar casinhas para a vila que Lili decidiu construir sob o pinheiro enfeitado. Não contei com a brusca virada do tempo e apanhei um chuvão, fato que enalteceu meu serviço. Trouxe, sob a tempestade, a esperada encomenda (é evidente que estou a valorizar o trabalho, dado que confesso a meus leitores, entre parênteses, para maior sigilo).
Confesso também que, pronta a decoração, deleito-me com o que meus olhos veem. A contradição, não complicada de entender, é que gosto do resultado, não do processo. É como gostar de comer boa comida e não apreciar prepará-la. Acho que a comparação é boa e suficiente. Todo ano é assim, ainda que Lili resista a se acostumar com meu comportamento. Continua na esperança de que, quem sabe no próximo Natal, eu mude e me torne estupendamente participativo.
Como aconteceu numa noite. A vilazinha havia ficado pronta, ou quase; faltava só mais um pouco de neve, naquela altura difícil de encontrar nas casas de artigos natalinos, por força da demanda excessiva. Neva muito no Natal brasileiro. Sentamo-nos de frente para ela, imersos na tênue claridade produzida pelas luzes dos enfeites. Sob a árvore piscando em cores, semelhando a um céu profusa e coloridamente estrelado, estendia-se a vila, composta de nove casas e uma igreja, iluminadas. Melhor que não havia televisão ligada a invadir o momento de contemplação. Apenas o pinheirinho, a vila tão graciosa e as luzes natalinas a dourar a sala. E ficamos a conversar e olhar para a paisagem de brinquedo, tomada de noite, e esse olhar e conversar foram-nos conduzindo a imagens da infância, de Natais perdidos no tempo, de pessoas que fizeram inesquecíveis antigos dezembros. Algo mágico foi tomando o ambiente, e voltou-me o desejo ardente de ter um trenzinho elétrico. Sonhei com ele ao longo da infância. Vi-me, outra vez, na Loja Prosdócimo, extasiado diante do brinquedo, cujos vagões, iluminados por dentro, mostravam nas pequeninas janelas de vidro leitoso as silhuetas dos passageiros.
De repente, ouvimos pequenos ruídos. Apuramos a audição. De onde viriam? Os ruídos continuaram. Muito estranho. Não vinham de fora, da rua. A origem estaria na sala. Eis que a luz de uma das casinhas se apagou. Aos poucos, nos apercebemos que o barulho vinha da vila. A luz que se apagara voltou a se acender. Mas o mais impressionante aconteceu em seguida. Flutuando no insólito, vimos a porta da frente de uma das casas se abrir. Fechou-se em seguida. Atordoados e estáticos, sem dizer nada, aguardamos o que mais viria de absurdo. Mas tudo se aquietou. O momento maravilhoso se extinguira. Era tarde, e fomos dormir entre assombrados e encantados. Não víramos e ouvíramos nada, com certeza. Certamente fora a imaginação infantil despertada pela longa contemplação da vila iluminada e pelos vôos de nossas reminiscências. Havíamos mergulhado, sem sentir, num vácuo da realidade, em que o impossível se tornara viável. Algo como um sonho.
Deitados, no quarto mergulhado na escuridão e no silêncio, ficamos longo tempo com os ouvidos esticados para o que poderia vir de barulho da sala, naquela altura também silente e escura. Por fim, exaustos pela ocorrência incrível, adormecemos. Acordei-me no meio da noite. Ruídos produziam-se novamente na sala. A vila devia estar se agitando. Adquiria vida. Levantei-me e fui silenciosamente até lá. Deparei-me com as casinhas acesas outra vez. O prodígio se renovava. Voltei para o quarto e esperei. Quanto tempo, não faço ideia. Embalado pelo maravilhoso e surpreendente, vagando entre o real e o imaginário, terminei adormecendo.
O fenômeno não se repetiu aos nossos olhos. Mas tenho para mim que, no meio da noite, quando, sucumbidos ao cansaço e sono, adormecemos profundamente, coisas espantosas voltam a acontecer na vila em miniatura estendida sob o pinheiro. Não é algo que eu possa revelar aos outros, indistintamente, sem parecer maluco, mas o confidencio aos meus contados e fiéis leitores e acrescento: o sucedido explica-se pela magia no Natal; algo extraordinário que só pode ser percebido pelos olhos e ouvidos da criança antiga que resiste em nós.
Tribuna Platinense, edição 1105, de 11.12.2009.
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